Acaro de Traqueia

Acaro de Traqueia
O Fantasma dos Criadores de Canários

 


Nomes estranhos como Sternostoma tracheacolum, mais comum, Cytodites
nodes
ou Psittanyssua e mais uns 30 nomes esquisitos como estes,
Não assustam tanto o criador de canários quanto ouvir o simples apelido "ácaro
de traqueia". Estes são alguns dos tipos desse verdadeiro fantasma
para os canaricultores de Portugal e do mundo.

O ácaro de traqueia encontra-se no meio ambiente, alimentando-se de detritos e
poeira,

Instala-se oportunamente nas vias respiratórias das aves, podendo atacar a traqueia,
Sacos aéreos, pulmões e até mesmo ossos pneumáticos. Esses ácaros provocam lesões
inflamatórias no trato respiratório, provocando irritação e perda da
"voz", e em casos extremos pode ocorrer morte por asfixia devido a
alta infestação.

O tratamento de eleição para controlar esses ácaros é o uso da ivermectina,
Administrada de 15 em 15 dias até sanar o problema. Tomar cuidado com a época
de aplicação e período de recesso na reprodução, para sucesso no tratamento.

Esses períodos devem ser analisados e determinados pelo veterinário responsável pelo
plantel, de acordo com a espécie, condições nutricionais e fisiológicas da ave.

Ao se necropsiar uma ave parasitada por ácaros, encontra-se um quadro de intensa
irritação do trato respiratório (pontinhos pretos) desde a traqueia até os
pulmões. Essa irritação provoca dificuldade respiratória, queda no sistema
imunológico e uma consequente instalação de patologias, secundárias
 (Micoplasma, bactérias, vírus, fungos) que geralmente são a causa das mortes
nas aves. Muitas vezes, mesmo matando o ácaro, as cicatrizes das lesões não
permitem uma total recuperação da "voz", e em outros casos não se
observam sequelas.

Levando-se em conta a grande extensão do sistema respiratório das aves, a cornificação
dessas infeções secundárias pode tornar-se um problema de difícil solução por
atingir os sacos aéreos que estão distribuídos por todo corpo. É fundamental
que o veterinário diagnostique e trate essas infeções para evitar a morte do
animal.

Esse é o maior erro de todos os criadores, achar que o ácaro é um problema isolado
enquanto ele apenas abre portas para infeções mais sérias. A ivermectina
apenas mata o ácaro, enquanto a infeção secundária deve receber a terapia
específica.


Qualquer terapia não deixa de ser mais um estresse para o animal, de onde devemos
concluir que a prevenção continua sendo a melhor via de sucesso na criação.
Isto não significa o uso de medicamentos para a prevenção que é praticamente um
crime, e sim, cuidados de manejo como alimentação balanceada e contínua (sem
mudanças bruscas), ausência de correntes de vento, evitar levantar poeira no
criadouro (varrições) e outras formas de estresse conhecidas pelo criador.